quarta-feira, 3 de maio de 2017

"Vocês são muito cosidas!"



Toda a minha vida ouvi esta frase da boca da minha avó, da minha mãe e até da minha sogra.

"Vocês são muito cosidas!..." - eu sempre senti orgulho ao ouvir esta frase dirigida a mim e à minha filha, mesmo que ela fosse dita com uma certa dose de apreensão. Eu sentia orgulho da relação única de cumplicidade que sempre tive com ela.

Quem a dizia, sentia uma certa apreensão quanto à altura de nos descosermos. "Depois vais sentir muito!..." E eu sorria e pensava "Sim, sim, depois logo se vê..."

Só que o "Depois" está a chegar... e muito depressa.

De há uns 2 meses para cá a adolescência assentou arraiais cá em casa. Com ela chegou a cara fechada, o silêncio, os resmungos, o normal, vá...

Para já ela continua muito caseira, continua a querer a nossa companhia ao fim de semana, continua a gostar de andar connosco de um lado para o outro... mas muito mais em silêncio, sem os sorrisos a que estávamos habituados, com conversas tiradas a saca-rolhas...

Eu sei que é normal, mas eu estou a sentir tudo na pele agora e está a ser um bocadinho avassalador para mim.

Eu, que tive uma adolescência difícil, carrancuda, de silêncios e resmungos, de segredos para com os meus pais, ponho-me agora no lugar deles e penso "Só espero que ela não seja como eu fui..."

E ela, do alto da sua sabedoria diz-me amiúde "Nem eu sou tu, nem tu és a tua mãe!", como quem diz "Não compares a nossa relação com a vossa"

Eu quero dar-lhe o espaço que ela precisa, não me importo de me descoser, mas não consigo faze-lo totalmente.

Em primeiro lugar, tenho de deixar de olhar para ela como a adolescente difícil que eu fui. Ela não é a Lena adolescente, ela é a Bia adolescente que sempre teve uma relação única com a Lena mãe.

Tenho de confiar nela e no trabalho que fiz até agora. Ela nunca me mentiu nem escondeu nada, não posso estar sempre à espera da primeira vez que isso aconteça.

Logo, tenho de deixar de sofrer por antecipação.

Tenho de lhe dar espaço e deixa-la respirar, apesar de só me apetecer mantê-la debaixo da minha asa.

Sei que eu é que tenho de me adaptar a esta nova fase, mas não pensei que fosse tão difícil.

É agora avó, que nos estamos a começar a descoser. Tu tinhas razão...

3 comentários:

  1. Um dia teria de ser, é certo, mas admito que seja difícil!

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  2. Que gira a expressão... desconhecia que a utilizassem assim, mas tem lógica =)

    Beijocas

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  3. oh pah... mãe sofre!!!!!!!!!!!!! Coragem lindona... não há-de ser nada, é uma fase que vem e vai. Tudo se resolve com uma boa dose de paciência e muito amor.

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