quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Das primeiras vezes


A princesa foi a uma festa de 16 anos de uma amiga. Pela primeira vez à noite, uma dúzia de adolescentes sozinhos.

No dia seguinte:
- Então filha, divertiste-te?
- Sim, fomos jantar ao McDonalds e depois fomos passear na marginal de Matosinhos (até cerca das 2 da manhã quando o pai a foi buscar)
- E não foram prós copos? (digo eu totalmente na tanga)
- Eles sim, ela levou uma garrafa de vodka preta!....
(eu incrédula!)
- E tu bebeste?
- Eu?! Eu vou ser virgem para sempre!!! Nem coca-cola bebo!!

O que eu me ri depois de me ter passado a admiração total por a mãe da miúda - de 16 anos - lhe ter dado uma garrafa de vodka para partilhar com os amigos.

Chamem-me antiquada, mas parece-me mesmo muito cedo.

Sei que há muitos miúdos mais novos até que já bebem e sabe-se lá o que mais, mas eu olho para a minha filha, sei o feitio que ela tem e sinto que ainda está a anos luz dessa fase da vida!

terça-feira, 4 de setembro de 2018

No Expresso (é tão importante falar sobre isto!...)

Não é um incentivo à obesidade, é um elogio à dignidade

Tess Holliday tem 33 anos e, sim, é obesa. Mas mais do que isso é uma pessoa, e estrela das redes sociais graças à sua mensagem de diversidade. Este mês faz capa da Cosmopolitan UK e basta ver a discussão em torno disto para perceber que capas assim fazem falta. Porquê? Porque ao contrário do que muitos apregoam, esta escolha não é um incentivo à obesidade. É, sim, um elogio à dignidade, ao respeito e ao direito de se existir e de se ser livre, independentemente do corpo que se tem.
É interessante percebermos como uma capa com uma mulher com estas dimensões corporais tem o condão de espoletar um chorrilho de comentários de suposta preocupação quanto à saúde e à normalização da imagem das pessoas obesas. Como se estas pessoas tivessem de ser escondidas numa cave para o bem da saúde pública, em jeito de travão da possível influência nefasta que podem ter nos nossos adolescentes. Pergunto-me sinceramente quantas destas pessoas terão parado para se preocupar ao longo das últimas décadas com as milhares de capas que foram feitas numa apologia grave à normalização da beleza e da estética do corpo. Corpos invariavelmente estereotipados e reproduzidos em imagens transformadas em Photoshop, e depois amplamente distribuídas. Sem qualquer preocupação social, por mais que tenham tido – e ainda tenham - o condão de provocar verdadeiras frustrações e inseguranças em massa a miúdas e mulheres mundo fora que desejam ter aqueles corpos irreais. Não será isto também um verdadeiro perigo, embora socialmente aceite?
 
 
Se nos queremos preocupar com a saúde e bem-estar das pessoas obesas, talvez fosse mais produtivo começarmos por ouvi-las e vê-las enquanto pessoas no seu todo, por exemplo. Por lhes dar espaços para existirem na sua individualidade, sem serem insultadas, gozadas ou alvo de críticas e opinião alheias que não pediram a ninguém. Poderia também ser mais importante falarmos sobre o enorme isolamento que muitas destas pessoas sofrem graças ao preconceito social. Ou à quantidade de depressões severas que sofrem à conta desta repressão constante, mesmo junto de alguma classe médica. Não é certamente a excluir ou a repudiar que se está a ajudar na abertura de um diálogo construtivo sobre isto, diria eu.
 
Contudo, esta capa de revista feminina também não é sobre saúde, é sobre beleza. Mas parece-me que quando há gordos ou obesos à mistura nestas temáticas da estética, as pessoas tendem a misturar as coisas e a ficarem indignadas. O mesmo com outras condições físicas que fogem à tal norma da beleza, como as malformações ou amputações, as cicatrizes, o envelhecimento, os pelos, etc. Simplesmente porque o preconceito estético nem lhes permite imaginar que aquela mulher só está na capa daquela revista porque é considerada bonita. Sim, uma obesa considerada bonita e inspiradora enquanto destaque editorial.

“Os gordos são desmazelados e preguiçosos”, e outros preconceitos

Esta capa com a Tess Holliday revelou-se um belo exercício de reflexão não só quanto à força dos preconceitos estéticos, mas também quanto ao tabu e desinformação que existe em torno da obesidade. A construção social feita sobre esta condição médica, e as suas causas, remete-nos para a ideia do descontrolo.
 
Continuamos a achar que as pessoas que sofrem de obesidade não têm uma doença. E vaticinamos que têm, sim, uma simples atitude desmazelada perante a vida. Que são preguiçosas, gulosas, que não querem saber dos seus corpos e que têm simples comportamentos compulsivos em relação à comida. Mas por mais que estas ideias pré-concebidas tenham muito de falaciosas (leiam um bocadinho sobre obesidade em publicações científicas para perceberem melhor), tudo isto entra na esfera do socialmente reprovável, principalmente porque é uma condição de saúde externamente visível. Se é possível manter longe de olhares alheios os danos físicos provocados por outros problemas, neste caso não é. E a partir do momento em que isto é visível, quem olha sente-se muitas vezes no direito de julgar, invariavelmente num tom presunçoso, a roçar o paternalista. Os comentários a esta capa da Cosmopolitan são um belíssimo exemplo disso.
 
Sim, o excesso de peso – que não é a mesma coisa - está associado a maus hábitos de vida, como o sedentarismo e uma dieta desequilibrada, e é meio caminho andado para a obesidade. E sim, a obesidade acarreta uma série de perigos para a saúde a médio e longo prazo. A questão é que nada nesta capa ou artigo diz que é bom para a saúde ser-se obeso. Nem em momento algum incentiva quem lê a engordar como se isso fosse uma meta positiva. Por outro lado, tanto a escolha editorial (por mais que seja estratégica em termos de marketing, mas isso é outro tema) como as declarações de Tess Holliday incentivam a que todas as pessoas se sintam no direito de aceitar os seus corpos, de sair à rua sem vergonha social, de se sentirem livres para se expressarem nas várias dimensões das suas vidas e serem vistas também fora das quatro paredes das suas casas.
 
Simbolicamente, esta capa deixa claro que não é apenas a aparência do nosso corpo que nos define enquanto pessoas, nem que nos condiciona nas nossas escolhas enquanto cidadãos que têm como pilares base da vida em sociedade o direito à dignidade, ao respeito e à liberdade. Mas o que muita gente parece não perceber quando debita sentenças e bitaites sobre a aparência dos demais sem que a sua opinião tenha sido pedida, é que está a pisar as fronteiras da individualidade daquela pessoa, privando-a precisamente destes direitos básicos.


 

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Panquequinhas


Inventei estas panquecas para começar a acabar com uns restinhos que andavam perdidos no frigorífico:

1 ovo
1 c. sob. manteiga de amendoim
2 c. sob. doce de abóbora
2 c. sob. puré de maçã
1 c. sob. maizena
3 c. sopa farelo de aveia
Leite qb

Misturar tudo e cozinhar numa frigideira untada com óleo de côco em lume brando.

Deu para 12 panquequinhas que congelei separadas por papel vegetal para quando quiser num pequeno almoço ou num lanche.

Ficaram ótimas!!

sábado, 1 de setembro de 2018

Três semanas


Foram três semanas repletas de mimo, de praia, de piscina, de relax, de sono em dia, de passeio, de leitura, de pores-do-sol, de colorir desenhos, de ver maratonas de Friends, de rever filmes da infância da pequena e papar episódios da Anatomia.

Ao contrário do passado, foram almoços descontraídos e sobremesas sem remorsos, foram idas matinais à piscina só eu e o meu livro sem preconceito do meu corpo, foi aproveitar praia e piscina sem me retrair com o meu aspeto.

Se antes de férias sentia a minha mente como um mar revolto cheio de ondas, hoje sinto-a um mar calmo com ondulação suave. Queria muito manter este estado zen durante bastante tempo, não ceder ao stress e alimentar a minha mente nesse sentido, afinal tenho o mar aqui tão perto...

Hoje é 1 de setembro, para mim conotado desde sempre como 1º dia oficial da dieta, da pesagem, de definir números e novas rotinas de alimentação e exercícios.

Não este ano.

Hoje é dia 1 de setembro, dia de recomeçar sim, mas não a dieta. É dia de voltar sim à alimentação mais saudável, mas só porque o meu corpo pede isso mesmo, pede um descanso das sobremesas gulosas e pede que o hidrate mais.

É dia de fazer o meu corpo voltar à rotina não porque o quero castigar dos abusos das férias, mas sim porque ele merece que o trate o melhor possível para lhe agradecer o que faz por mim.

É um pormenor na linha de pensamento mas que faz uma diferença enorme no resultado. Vamos lá 

terça-feira, 28 de agosto de 2018

Fui à Dama de Copas...

... e vim de lá espantada com o que aprendi! 

Então fiquei a saber que:

* Não basta vestir o soutien, deve posicionar-se a extremidade do aro debaixo da axila e aconchegar bem o aro à mama inteira... ESTA É A REGRA DE OURO!!! A diferença que faz no formato da mama, a postura que obriga as nossas costas a adotar e a maneira como a roupa cai é absolutamente brutal!

* A rapariga que me fez a sessão de bra fitting bastou olhar para mim para me trazer o tamanho correto de soutien, não precisou de tirar medidas nem nada! 

* Bastou olhar para me dizer que o meu tipo de mama amamentou e teve uma grande perda de peso.

* A minha mama direita é maior do que a esquerda

* Deve usar-se soutien para dormir, os chamados "de descanso", moles e sem aros para aconchegar a mama. Nunca fiz isso... 

* Não se deve usar um soutien por mais do que 2 dias para as fibras 'descansarem' do formato do corpo. 

* Passei de um 36D/E em copa almofadada para um 32G em copa mole com aro. Este é o tamanho em que me sinto mesmo bem. Não há cá mamas a fugir pelas copas. 

* Depois de estar uns 15 minutos com o modelo escolhido (no meu caso o modelo Full Cup é o que me faz a mama mais bonita e confortável) eu estava admirada com o falta de pressão das alças nos ombros, o peso está a ser maioritariamente suportado pela faixa do peito, como deve ser e é uma diferença abismal, mesmo! 

* Eu que tenho umas mamas extremamente flácidas, no próximo ano vou lá buscar um biquini cai-cai sem sombra de dúvida! É este o nível de qualidade! 

* Apesar de estar ali de mamas ao léu à frente de uma estranha, estava completamente à vontade e nunca me senti nem desconfortável nem pressionada. 

* Convém ir com a carteira recheada. A qualidade paga-se, obviamente. 

* Só lamento não ter lá ido há mais tempo!! Foi um investimento em mim que na realidade valeu bem a pena. 

Antes tinha passado pelo site e queria uns floridos e coloridos, mas eram de outro modelo (Balconet) que também experimentei, mas não me senti tão confortável. 

Para já  comecei com estes assim mais básicos, mas mal enconte um Full Cup com florzinhas não me vai escapar. 
Um Full Cup branco e prata para as roupas mais claras

Um Full Cup preto para as roupas escuras

Um de descanso para usar em casa e para dormir

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Investir em mim


- Mãe, ajeita as mamas...
- Mãe, as mamas estão quase de fora...
- Mãe  porque é que passaste as férias todas com esse biquini? Devias comprar um que te favorecesse mais as mamas...

Ela tem razão, não que este me fique mal  mas podia ficar melhor...

- No próximo ano tens de comprar um que te fique melhor!
- Mas eu não sei onde comprar! Tenho uma copa muito grande para umas costas relativamente estreitas, é difícil encontrar!... Ou melhor, até sei onde procurar, na Dama de Copas de certeza que encontro, mas são tããão caros!!
- Eeeeeee?!?!... Não podes?!

Nesta fase da minha vida felizmente até posso, simplesmente não estou habituada a ser a minha primeira prioridade. Não estou habituada a esbanjar dinheiro em mim.

Mas ela pôs-me a pensar. Sim, eu mereço! Sim, eu po$$o! Se eu invisto em coisas para a casa, em férias, em concertos, porque não investir em algo que me vai fazer sentir melhor com o meu corpo?

O biquini vai ficar para a próxima primavera, mas na próxima semana quero lá ir fazer uma prova de bra-fitting e trazer de lá 2 soutiens que me encham as medidas!

Só porque eu mereço!

E sim, aquece-me o coração ver como ela tem o copo da auto-estima tão cheio! Ela inspira-me todos os dias!

domingo, 19 de agosto de 2018

Leitura de férias



... Passei anos no ciclo dieta-compulsão. Sempre que fazia uma dieta, inconscientemente enviava ao meu cérebro um alerta de que estava num periodo de fome. Estando num periodo de semi-fome, eram ativados os meus instintos de sobrevivência, causando alterações psicológicas no meu cérebro, fazendo com que só conseguisse pensar em comida até ser impossível controlar-me e eventualmente cedia à compulsão. E de cada vez que tinha uma compulsão, achava que tinha de restringir-me mais para compensar...
Qualquer pessoa que já passou por isto sabe como é que funciona o ciclo:

Passo 1: Achas-te muito gorda, então começas uma dieta. Nos primeiros tempos perdes peso, o que prova que a dieta funciona.

Passo 2: A tua perda de peso abranda porque o teu corpo tenta manter-se no seu nível de conforto, logo tens de restringir mais um pouco o que consomes. Podes conseguir manter este passo durante algumas semanas, ou mesmo meses, mas estás literalmente a lutar contra o teu próprio corpo e inevitavelmente cairás em compulsão

Passo 3: Estragaste tudo. Comeste tudo o que era proibido. De acordo com o plano, falhaste e se é para falhar, mais vale fazê-lo em grande - venha de lá a compulsão. Sem te aperceberes, tornaste a ganhar o peso todo de volta e talvez mais um pouco.

Passo 4: Achas-te muito gorda, então começas uma dieta...

... Quem faz dieta tem força de vontade, mas este ciclo não tem nada a ver com força de vontade. Este ciclo tem a ver com biologia, e só consegues combater os teus instintos biológicos até determinado ponto. A indústria dietética, fez milhões a convencer-nos de que não é assim.
'Body Positive Power' - Megan Jayne Crabbe

Este livro é um verdadeiro abre-olhos sobre a indústria da beleza. Nunca tinha pensado sobre o facto de haver tantos ramos de negócio que fazem dinheiro à custa de todas as inseguranças que temos na nossa cabeça, mas que são realmente alimentadas por elas mesmas desde que somos crianças, ainda que subtilmente.

Pela primeira vez na minha vida ando na praia e na piscina sem me preocupar em comparações entre mim e os outros. Esse pensamento está a ser cada vez mais enterrado num sítio profundo. E fico imensamente feliz de ouvir a minha filha partilhar esse mesmo conceito.